Pouco escrevo nas redes sociais. E, também, geralmente, não compartilho as leituras do cotidiano. Quando faço isso, normalmente é com pessoas bem mais próximas. Porque entendo algo simples: Deus quer tratar cada um de forma pessoal.
O alimento diário, em geral, deve ser buscado diretamente na fonte.
Claro… há exceções.
Bebês e crianças na fé ainda precisam ser alimentados por outros, mas quem já alcançou alguma maturidade precisa aprender a se alimentar da fonte. Sem intermediários.
Entretanto, há textos que interrompem o costume.
Isaías 26.10 faz isso.
É daqueles que nos dão a impressão de nunca terem sido lidos antes. Não porque sejam novos, óbvio, mas porque Deus, em Sua providência, chama nossa atenção para verdades específicas – em momentos específicos. Sempre com propósito.
O texto diz: “Ainda que se mostre favor ao perverso, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele comete a iniqüidade e não atenta para a majestade do SENHOR.” (Isaías 26.10 — ARA)
A afirmação é direta. E incômoda.
O favor não muda o perverso. Isso confronta uma ideia comum: a de que “gentileza gera gentileza”. Não aqui. Diante do perverso, gentileza não gera gentileza. Gera responsabilidade. E, tudo indica, aumenta o peso do juízo. Porque o problema do perverso não é falta de oportunidade. É falta de resposta.
Veja o movimento do texto: Ele recebe favor…, mas não aprende justiça.
Ele está na terra da retidão…, mas continua praticando a iniquidade.
Ele está cercado por evidências…, mas não percebe a majestade do Senhor.
Nada ao redor resolve. Porque o problema não está ao redor. Está dentro.
Fato: o que se pode esperar do ímpio, senão a impiedade? Essa constatação não é exagero. É diagnóstico. E aqui está o ponto mais sério: Esse texto não fala apenas de “gente ruim”. Ele descreve o ser humano sem transformação. Descreve o que somos quando somos deixados a nós mesmos.
Porque o problema não é comportamento. É natureza. Sem intervenção, o coração não aprende. Mesmo recebendo favor. Mesmo estando no ambiente certo. Mesmo vendo o que deveria ver.
Acredito que, quanto maior o favor ignorado, maior a culpa acumulada.
Por isso, nossa necessidade do Evangelho é absoluta. Não apenas para nos livrar do inferno, mas para nos livrar de nós mesmos.
O Evangelho não melhora o perverso. Ele transforma.
Não apenas ensina justiça. Concede uma nova disposição para vivê-la.
Não apenas mostra a majestade de Deus. Abre os olhos para enxergá-la.
Sem isso, todos nós permanecemos na mesma fila: A fila dos que apenas aguardam a oportunidade certa para expressar o que já carregam por dentro.
O Evangelho nos retira dessa fila.
Portanto, Isaías 26.10 não é um texto para observar os outros. É um texto para nos localizar. Ele nos impede de confiar no favor como solução. No ambiente como resposta. Na proximidade com a verdade como garantia de transformação.
Devemos encarar o fato: Se nada em nós for mudado por Deus… nada em nós realmente muda.
Sem novo nascimento, o favor apenas evidencia o pecado.

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